Sexo frágil, eu? | Inclusão na Escola
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Sexo frágil, eu?

Sexo frágil, eu?

Sou mulher, adoro isso, mas conheço com propriedade a ambiguidade deste sentimento. O prazer de ser mulher e o peso da responsabilidade. Desenvolvemos desde a infância uma consciência por vezes distorcida do papel na família, trabalho e criação dos filhos. Executamos várias tarefas ao mesmo tempo, assumimos responsabilidades que poderiam ser compartilhadas com tranquilidade e MUITAS vezes nos deixamos em segundo plano.

Sou da década de 70, quando o padrão de mulher era outro. Poucas mulheres estudavam, trabalhavam ou podiam fazer escolhas. Nossas antecessoras queimaram o sutiã e hoje podemos fazer escolhas, estudar e trabalhar. Quando olho para minha filha com 17 anos, tenho certeza de que a vida dela será muito diferente da minha. A relação dos jovens com a vida, com a natureza e com os outros, é diferente. Eles olham a vida de forma mais descomplicada (por vezes descomplicada demais), dividem as tarefas domésticas com a consciência de que ela é de todos e não somente responsabilidade da mulher. Fico feliz ao contemplar a consciência da minha filha e o que projeta para o futuro.

Refletindo sobre a inclusão e o papel da mulher neste processo, lembrei da mães heroínas que conheço há tantos anos. Mulheres fortes que não medem esforços para fazer o melhor por seus filhos, levam às terapias e à escola, ajudam no dever de casa, limpam a casa, cozinham, trabalham fora, cuidam dos filhos, dão beijos que curam e ainda tem tempo de continuarem lindas e poderosas. Minha amiga Tela é assim, aprendi muito com ela sobre ser mãe e mulher.

Tive o privilégio de atender a Paulinha no início da minha carreira como fisioterapeuta. Ela foi a filha mais velha, uma menina linda com deficiência múltipla. Ela não ouvia, não falava, mas me conectei de forma tão intensa que nos entendíamos de forma especial. Durante este processo conheci de perto a rotina desta mulher admirável, que cuidou da nossa menina com amor incondicional por 19 anos. Sei que não foi fácil, ela chorou, surtou, mas focava no que precisava fazer e não no que era fácil. Nossa Paulinha exigiu muitos cuidados, hoje vejo com clareza que eles só foram possíveis porquê a mãe compartilhou as tarefas com a família. Eles eram como um time e isso tornou a caminhada mais leve. Teve um parceiro de vida atuante e companheiro, e com isso, a segurança do suporte para os momentos difíceis.

Olhando essa história anos depois me pergunto se ela teve sorte os fez escolhas sabias? Acredito que fez boas escolhas, procurando formas para priorizar o que era importante e compartilhar o que fosse possível. Continuou a pensar positivo mesmo com a realidade adversa, sempre com muita fé em Deus. Acho que deu certo!

Nossa menina partiu, deixou uma mãe cheia de saudade, mas com a sensação de dever cumprido. A Tela voltou a sorrir, tem amigas, vida social e está amando a vida de avó, cuidando do netinho com a mesma dedicação e amor com que cuidou das 3 filhas. Ela continua a ser um exemplo pra mim.

Todas as mulheres tem uma Tela dentro de si, e podem viver de forma mais plena e feliz. O segredo está em se fazer algumas perguntas:

  • Quais são as minhas necessidades, sonhos, ambições, papel na sociedade e qualidade das relações ?
  • Quais pesos desnecessárias carrego todos os dias?

 

Achou difícil responder? Que tal se presentear com um Dia da Mulher diferente? Tire 30 minutos SÓ pra você, procure um local calmo, onde esteja confortável e tranquila. Respire, relaxe e reflita sobre estas duas questões:

  • Quais são os excessos do seu dia a dia?
  • O que pode ser feito para torna-los mais leves e felizes?

 

Caso não esteja na sua lista de alternativas para tornar os dias mais leves, separe algum tempo para tomar um café com as amigas. Um encontro semanal é um santo remédio para renovar a energia e melhorar o humor. Reative aquele hobby que você adora e sente uma falta danada, investir tempo nele trará muitos benefícios pra você e para aqueles que ama. Os filhos adoram uma mãe calma e realizada!

 

Vamos comemorar o dia da mulher substituindo as flores e os presentes, por novas possibilidades? Desejo a todas nós uma vida mais leve, relações solidas e saudáveis, com motivos para agradecer.

 

Com amor

Silvia Ferraresi

 

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