Qual é o limite? | Inclusão na Escola
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Qual é o limite?

Qual é o limite?

Defendo uma sociedade inclusiva, onde todas as pessoas tenham acesso à escola, ensino de qualidade, cultura e trabalho. Pessoas com deficiência, seja ela motora, sensorial, intelectual ou mental, eram invisíveis até poucas décadas atrás.

Lembro como me sentia quando encontrava uma pessoa com Sindrome de Down (SD). Eu gostava deles, mas ficava triste ao ver como viviam, por não irem à escola, terem poucos amigos e não passearem. Desde criança eu me interessava por aquelas pessoas e ver aquela exclusão era dolorido para mim. Ser uma pessoa com deficiência nos anos 70 era bem difícil.

Na década de 90 as coisas começaram a mudar. Eles começaram a ter direitos e serem olhados. A Declaração de Salamanca (1994) apresentou o direito à diferença. Desta forma, TODOS teriam direito à escola com qualidade, respeitando suas necessidades educativas.

Isso é uma realidade? Parte sim, parte não… Temos leis que garantem o acesso aos espaços públicos, à escola e ao lazer, mas nem sempre (quase nunca) são praticadas. Conforme o último censo, realizado em 2010, já havia 270.000 pessoas com Síndrome de Down. Atualmente, encontramos alguns ingressando em faculdades, trabalhando, casando, tendo filhos e até fazendo filme. Impossível imaginar isso na década de 70!

   

Porém, ainda é uma minoria perto de tantos outros que ainda estão à margem. O que torna a qualidade de vida e acesso tão desigual? Uns com tantas conquistas e outros nenhuma. Onde está o gargalo? Porque somente uma pequena parcela da população tem acesso à estimulação, escola com qualidade ou suportes necessários? Neste seleto grupo, vejo algo em comum. Famílias que olharam mais para as habilidades dos filhos do que para a trissomia do cromossomo 21. Investiram em terapias, lazer, amizades, sonhando com eles um futuro feliz e brilhante. Acreditaram que desafios existem para serem superados, e seus filhos poderiam aprender. Batalharam muito, enfrentaram preconceitos, brigaram e conseguiram o direito à diferença.

Fico muito feliz quando assisto ao filme “Colegas (2012)”, tomo um café na cafeteria “Chefs Especiais”, onde todos os funcionários são T21, vejo um atleta de MMA com SD subindo ao pódio ou recebendo a faixa preta no Jiu-Jitsu!

           

Qual é o limite para pessoas com SD? O preconceito e o pouco investimento? Creio que sim. Bom seria se todos tivessem as mesmas condições.

Quando uma criança com SD chega pequena na educação infantil e não usamos estratégias para auxiliá-la em sua comunicação ou para inclui-la nas atividades, estamos mesmo sem intenção, cerceando um talento. Enquanto a escola entender que somente a socialização basta, estamos limitando a acesso desta criança ao letramento e cultura.

Sonho comemorar o dia de consciência da Sindrome de Down, festejando a independência, os sonhos realizados e o sucesso. Acredito nisso e sei que esta trajetória inicia-se lá atrás, ainda na estimulação precoce. Com ela, o trabalho de tantos profissionais contribui para maior qualidade de vida e desenvolvimento cognitivo. Minha utopia é uma escola com respeito à individualidade, onde todos aprendem e evoluem a partir de suas habilidades. Anseio por mais pessoas com Sindrome de Down concluindo a faculdade, trabalhando como chefs, artistas, professores e onde mais quiserem.

Pais, professores e terapeutas podem e devem ser aliados nesta missão de promover a inclusão de forma ampla e real. Espero comemorar nos próximos anos, mais casos de sucesso, numa escola mais preparada para acolher as diferenças.

 

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