Professor, quais lembranças as crianças terão de você? - Inclusão na escola
810
post-template-default,single,single-post,postid-810,single-format-standard,qode-quick-links-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,qode_grid_1300,footer_responsive_adv,qode-theme-ver-11.0,qode-theme-inclusão na escola,wpb-js-composer js-comp-ver-5.1.1,vc_responsive

Professor, quais lembranças as crianças terão de você?

Professor, quais lembranças as crianças terão de você?

Quando o educador respeita as singularidades e potencialidades de todas as crianças, ele pode fazer toda a diferença na vida de seus estudantes

Por Silvia Ferraresi

Uma fotografia antiga de uma menina de cerca de quatro anos. Ela tem os cabelos lisos e curtos e usa um vestido branco.

Foto: Arquivo pessoal.

A criança ao lado foi uma garotinha muito curiosa, criativa e cuidadora. Seus olhos costumavam brilhar com as figuras dos livros e com as histórias que ouvia. Ela voava longe por entre as páginas, imaginado-se naqueles campos e castelos e sentindo-se parte daquela narrativa.

Em casa, a garotinha vivia entre adultos, não tinha com quem brincar e ficava muito tempo em frente à televisão. Por isso, ir para a escola era um alívio. Lá, ela era querida e todos adoravam ouvir suas perguntas. A vida na escola era maravilhosa!

A menina era uma criança curiosa e criativa. Mas, em sala de aula, não aprendia da mesma forma que as demais. Então, com o tempo, ela começou a se sentir desconfortável num lugar onde todos eram — ou ao menos pretendiam ser — iguais.

Sempre em recuperação em matemática, a garota tinha pavor dos exercícios com números e, por isso, chegou a duvidar de sua capacidade e inteligência. Entre experiências desagradáveis, a pior foi ser rotulada como “laranja podre” – aquela que contaminava todo o resto. Isso por conta de sua característica de liderança.

A garotinha cresceu, formou-se no curso do magistério e fez cursinho pré-vestibular. Lá, como num truque de mágica, ela descobriu o prazer de ler e de estudar. Ela voltou a acreditar na própria capacidade — e fez as pazes com os tão temidos números.

As experiências da época de criança ficaram guardadas numa gaveta empoeirada e foram revividas quando ela se tornou mãe. Hoje, a menina é uma mulher, movida pela causa da educação inclusiva. Ela continua a sonhar, mas agora é com uma escola onde todos possam aprender e onde todos sejam respeitados em suas singularidades e possibilidades.

Eu fiz as pazes com a criança que fui e sou grata por tudo o que ela viveu. Mas tenho certeza de que sua vida teria sido mais leve caso tivesse sido considerada em suas individualidades no tempo da escola.

E você, professor, já pensou quais lembranças as crianças terão de você?

No Comments

Post A Comment