Mãe e filha aprendendo sobre educação inclusiva - Inclusão na escola
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Mãe e filha aprendendo sobre educação inclusiva

Mãe e filha aprendendo sobre educação inclusiva

Ao desenvolver estratégias para estudar junto com minha filha, aprendi importantes lições sobre como educar todos e cada um

Por Silvia Ferraresi

A educação de estudantes com deficiência sempre foi minha paixão, mas demorei um certo tempo para enxergar além do diagnóstico e dos rótulos. Foi a maternidade que mudou meu olhar, me moldando como humana e profissional. Tive o privilégio de acompanhar a escolarização dos meus três filhos e isso me impulsionou a cursar a graduação em pedagogia. A partir disso, comecei a olhar a educação a partir do aluno.

Cada um dos meus filhos teve seu ritmo, tempo e demanda para aprender. Nenhum deles foi igual. E assim, aprendi a primeira lição da educação inclusiva: ninguém aprende da mesma forma.

A entrada de uma das minhas filhas, a Clarinha, no 2º ano do fundamental foi uma choque. Como mãe, iniciando a graduação em pedagogia, fiquei assustada a linguagem do livro didático que minha ela deveria dar conta. Ela estava recém alfabetizada, mas não estava pronta para compreender o conteúdo apresentado. Foi assim aprendi minha segunda lição: todo aluno pode aprender, é responsabilidade minha promover o acesso.

Comecei, então, a “informalizar” os livros. Líamos juntas o significado das palavras, assistíamos a vídeos mostrando o mesmo conteúdo de outra forma, líamos histórias complementares. E, assim, criamos diversas estratégias para digerir algo tão complexo.

Minha garotinha aprendeu rápido e, hoje, é excelente aluna em todas as disciplinas. Sou muito orgulhosa por ver a forma leve com que ela lida com provas e trabalhos. Entretanto, o pré-requisito para que ela aprenda continua a ser o sentido do que ela está estudando. Para isso, busca o significado das palavras, pesquisa em outras fontes, assiste a vídeos, etc.

O desenho universal para a aprendizagem (DUA)

Quando comecei a pesquisar e estudar, percebi que as estratégias que desenvolvi com a Clarinha tinham como base uma concepção chamada desenho universal para a aprendizagem (DUA).

O desenho universal é um conceito vindo da arquitetura. Ele diz que os espaços devem ser planejados para que o maior número de pessoas possam utilizá-los. A rampa na entrada do supermercado, por exemplo, serve para quem está com um carrinho pesado, para uma mãe com carrinho de bebê, para pessoas com mobilidade reduzida, para cadeirantes.

O DUA parte do mesmo raciocínio, mas aplicado à educação. Segundo esse conceito, o professor deve contemplar o maior número de alunos para a aprendizagem. Dessa forma, uma mesma atividade é elaborada de forma flexível com relação ao tempo, considerando um maior número de recursos, visuais, sensoriais, vídeos etc.

Esse modelo parte do princípio de que somos diferentes e aprendemos de forma diferente. Basear nossas estratégias pedagógicas nos princípios do DUA será uma forma de deixar o processo de aprendizagem mais dinâmico e concreto – tal como aconteceu com Clarinha.

Os princípios do DUA

O desenho universal para a aprendizagem parte de três princípios:

• Apresentar a mesma informação de diferentes formas.
• Utilizar diferentes formas de ação e expressão e aceitar diferentes formas de expressão do que o aluno aprendeu.
• Proporcionar diferentes formas para despertar o interesse dos alunos, de forma que haja o envolvimento de todos.

Estudando o DUA, percebi como usei esses princípios intuitivamente com minha filha. Criei diversas estratégias para apresentar um conteúdo que fizesse sentido, procurei por filmes, vídeos, livros, esquemas, figuras. No início, ela explicava oralmente o que havia estudado e, aos poucos, foi transferindo aquele saber para o papel. Hoje ela faz esquemas e resumos excelentes para registrar sua aprendizagem.

Desenho universal para a aprendizagem e educação inclusiva

Atualmente, o DUA faz todo o sentido para mim. Enxergo ele como um grande aliado ao processo de aprendizagem para todos os alunos. Sendo eles público-alvo da educação especial ou não.

E a educação inclusiva diz respeito, justamente, a todos os alunos. Desde a criança com deficiência, em situação de vulnerabilidade social ou a Clarinha com dificuldade para lidar com o “livro muito formal”. Por isso, desde então, penso minhas palestras, sugestões de flexibilização e mentoria considerando esses três princípios.

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