Desenvolver bons hábitos é função da escola? | Inclusão na Escola
540
post-template-default,single,single-post,postid-540,single-format-standard,qode-quick-links-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,qode_grid_1300,footer_responsive_adv,qode-theme-ver-11.0,qode-theme-inclusão na escola,wpb-js-composer js-comp-ver-5.1.1,vc_responsive

Desenvolver bons hábitos é função da escola?

Desenvolver bons hábitos é função da escola?

As aulas começam antes do Carnaval na maioria das escolas, mas sabemos que o trabalho focado começa somente após ele. Sendo assim, podemos dizer que o ano letivo de 2018 inicia amanhã, 15/02?

O começo do processo escolar de cada ano é uma ótima oportunidade para organizar as ideias, colocando em prática novas estratégias para dar conta da rotina escolar. Este treino traz benefícios para:

  • Criança: Aproveita mais as aulas e melhora a auto estima
  • Escola: Maior leveza para o desenvolvimento das atividades
  • Família: Melhora na dinâmica familiar.

Todos nós fazemos promessas na noite de réveillon. Confesso que repito algumas há alguns anos, como por exemplo, perder aqueles quilos a mais. Revelo com tristeza que honro com o meu compromisso até o Carnaval. Depois, sou seduzida pelo churrasco com amigos, café com bolo fumegante e cheiroso, além da tradicional pizza, parte importante da cultura paulistana. Desta forma, vou empurrando meu mau habito com a barriga e mantenho meu ciclo quebrar minha promessa de fazer algo diferente.

Pesquisas recentes da psicologia positiva mostram esse mecanismo como previsível em nós, seres humanos.  Para substituir um hábito nocivo por outro saudável, preciso ficar longe do estimulo que me faz cair em tentação e substituir por outro benéfico. No meu caso, proibi a entrada do bolo quentinho, pois não teria força de vontade suficiente para resistir a ele por muito tempo. Em contrapartida, introduzi a prática da corrida e isso tem me dado tanta alegria quanto comer aquele tão amado doce.

Os estudos revelam que para criarmos um hábito, é necessário repetir aquela ação por 21 dias consecutivos, ou seja, me esforçar para fugir dos sabotadores, sejam eles o bolo, o compromisso, ou a preguiça de fazer exercício.

Falei tanta coisa, mas o que isso tem a ver com a escola? Tudo!!

Lembro da minha trajetória escolar, da empolgação em começar o ano letivo com os materiais novos, e a esperança de um ano diferente. Entretanto, tudo continuava igual. Tinha dificuldade para entender o conteúdo, me atrapalhava com a organização das atividades e a angustia do rendimento das provas me perseguia. Desta forma, procrastinava as ações necessárias até o final do ano, quando eu já estava de recuperação.

Eu não tinha dificuldade com a aprendizagem, mas me atrapalhava com o formato das aulas e com a organização. Por isso defendo um novo formato para a escola! Vivi isto na pele! Era uma criança, logo não tinha maturidade para mudar minhas ações sozinha.

Quando vejo a responsabilidade pelo desempenho escolar recair sobre o aluno, me compadeço. O desconforto dobra, quando o aluno em questão apresenta alguma deficiência ou distúrbio de aprendizagem, já que poucos professores estão preparados para lidar com a diversidade dos diagnósticos e demandas de cada grupo.

O paradigma a ser quebrado é com os pais e equipe escolar. Eles precisam acessar a forma que o aluno aprende melhor e ajuda-lo na implementação do hábito de organização e planejamento. Parece simples? Garanto que não é. Várias ações devem acontecer para criar este hábito, portanto vai exigir mudança, persistência e paciência. Contudo, somente isso tornará o ano escolar do seu filho uma jornada feliz, com sucesso, sem a frustração de uma promessa não cumprida.

 

Referência Bibliográfica

Achon, Shawn – O jeito Harward de ser feliz –São Paulo: Editora Saraiva, 2012.

Comunidade Aprender Criança. Cartilha da Inclusão Escolar: inclusão baseada em evidências científicas (Ed. Instituto Glia, 2014)

No Comments

Post A Comment